sábado, 5 de dezembro de 2009

O ano passou e eu nem vi!

Há cinco dias comemoramos um ano de criação deste blogue. Passou e eu nem me lembrei!

De qualquer sorte, em tempo, agradeço a todos que aqui estiveram, principalmente, aos que batem o ponto!

Um abraço aos meus queridos e cativos leitores: espero (só espero, por isso não prometo) estar mais disponível aos meus delírios diários!

Rogo que eles virem letras, palavras e frases de certa (in)utilidade à nossa realidade!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eu não tenho tv a cabo, mas me divirto!

Ultimamente, meus posts têm acontecido fora da sombra, em qualquer lugar, principalmente, em conversas despojadas de seriedade com alguns amigos.

Mas assistindo a tv - ai, ai... a gente vê é coisa na televisão! -, uma matéria me deixou atenta e quero dividir aqui: a moda da subcultura vampyrica.

É a nova onda do momento, alimentada principalmente pela saga "Crepúsculo", da autora Stephenie Meyer. Com identificação ao tema de vampiros bonzinhos, muitos jovens estão se travestindo de vampiros, seguindo arquétipos do vampyrismo (opa, deve ser com y mesmo!), mergulhando de corpo e alma - e nada de sangue - no seu "repertório simbólico"...

Eles têm vida cotidiana comum, mas suas práticas pessoais sagradas são baseadas na "cosmovisão do neopaganismo". Sabe-se lá o que isso deve significar! O que me supreende é o modo como eles se apresentam, com recursos imagéticos que fogem à nossa mais inventiva idéia...

Será que estamos exagerando? Fiquei pensando como é que conseguimos tantas possibilidades de existência, criando práticas socioculturais das mais diversas. Essas coisas sempre me intrigam!

Não quero ser estóica, no entanto, não posso perder a piada de uma amiga ao conversar sobre o assunto: "o mundo está de cabeça para baixo... como os morcegos!"

Piadas à parte, o que me alivia é a poesia. E Cecília Meireles nos diz que "a vida só é possível reinventada".

-------------------------------------------------------------------------------------

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O folclórico "o rapaz"!

Ontem, no almoço em um restaurante popular aqui em Salvador, ao chegarmos ao estabelecimento, o garçom foi de pronto avisando:

- Não tem lambreta. Acabou. Mas o rapaz saiu para comprar e logo, logo deve estar chegando...

Eu disparei a rir. Sempre achei engraçado essa coisa de "o rapaz". É sempre assim. Você chega na banca da feira, que até parece abandonada, e, ao perguntar quem atende, o vizinho da barraca responde:

- É do rapaz. Ele foi ali, mas já volta...

Isso vale para tudo: fila de táxi, lojas, bares ou funcionários de qualquer lugar, principalmente, se for em serviço público. Já percebeu que a única pessoa que sabe dar a resposta que você precisa é "o rapaz, que saiu e volta já"? Ele nunca está, e nunca chega...

Do mesmo modo, há outras engabelações. Por exemplo, enquanto você espera ansiosa e demoradamente pelo pedido feito ao garçom desde que chegou ao restaurante, responda rápido: o que ele faz após a sua reclamação?

Se você é alguém que presta atenção, vai acertar: ele traz os pratos e os talheres!

Confesso que há um tempo atrás eu ficava consternada. Contudo, ultimamente, tenho achado graça! E, então, comecei a rotular folcloricamente esses momentos, como numa coleção particular, colocando no baú das piadas que a vida me prega.

Há diversas figuras folclóricas como "o rapaz", assim como velhas respostas prontas, dotadas de uma psicologia rasa para aplainar as ansiedades da clientela. Não há quem nunca ouviu o velho e bom:

- De ter, até tinha... Mas acabou!

Então, aproveitando que estamos em agosto, o mês do folclore, que tal dividirmos aqui os nossos báus de momentos folclóricos?

Só para constar, é claro que após algumas horas depois eu perguntei pelas lambretas. E o garçom me disse:

- A uma altura dessa, acho que o rapaz não achou para comprar...


...................................................................................................

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Passeata Virtual...

Você já ouviu falar em "passeata virtual"? Isso mesmo! É o que está acontecendo nestes tempos, organizada pelo Movimento Fora, Sarney!.


Ocorre assim: os internautas enviam mensagens para todas as caixas postais dos nossos senadores, com vias a lotar seus emails com protestos em prol do movimento. De igual maneira, também são enviadas e postadas mensagens em diversos meios eletrônicos de comunicação, como blogs, Twitter, SMS etc.

Não sei se realmente funcionará como da forma tradicional, e fiquei a pensar no que isso pode dar. Indubitavelmente, há uma adesão numerosa de participantes; quem sabe até mais do que de fato ir às ruas. Mas será que isso não reflete um algo mais em relação à nossa participação política?

Desde os tempos ditatoriais, não temos visto movimentos de reais adesões políticas por parte da população, tendo em vista o nosso comodismo alienado e os apelos midiáticos diários, em nome de uma imparcialidade duvidosa. Isso, de qualquer forma, implica os modos contemporâneos de nossa reivindicação de direitos e aplicação de deveres enquanto cidadãos, em relação ao cotidiano descaso e desinteresse quanto ao assunto.

Só não podemos negar que a criatividade não tem limites e que, com certeza, através dela estamos tentando nos adequar politicamente à dura realidade. Mesmo que de modo virtual...


--------------------------------------------------------------------------------

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Corrida do Ouro.

Esta reflexão vem a pedidos, após uma conversa bastante legal com um amigo. Foram muitas as filosofias de botequim sobre as reviravoltas profissionais que acontecem no mundo de hoje. Um dos assuntos que geram boas discussões nas rodas que frequento é falar acerca de concursos públicos. Há pessoas que já levam o adjetivo "concurseiro" no sobrenome. Quase todo mundo já fez ou fará um concurso na vida.

É claro que, indiscutivelmente, as pessoas querem aumentar sua qualidade de vida, principalmente se for aliada a um melhor salário e, quem sabe, melhores condições de trabalho. Pensar na estabilidade deixa a gente mais seguro e confortável, mas será que deixa a gente mais feliz?

Fico pensando sobre por que as pessoas passam cinco, seis anos estudando em um curso que escolheram para si e, em parte dos casos, ao passar num concurso, vai fazer algo diferente da sua profissão, passando algumas horas do dia em serviços meramente burocráticos, ou mesmo assumindo responsabilidades extremamente estressantes, tudo em nome de algo maior e melhor: as cifras no final do mês, a possibilidade de comprar tudo o que quer, mesmo que nem dê tempo para curtir. As pessoas te perguntam num paradoxal olhar de companheirismo e de concorrência: "E aí, vai fazer tal concurso?". É a versão pós-moderna da Corrida do Ouro...

"Selvas, montanhas e rios estão transidos de pasmo.
É que avançam, terra adentro, os homens alucinados.
E gerações e mais gerações de netos afundariam nesse abismo:
Que a sede de ouro é sem cura, e, por ela subjugados,
os homens matam-se e morrem, ficam mortos, mas não fartos."
Cecília Meireles - Romanceiro da Inconfidência

Quando eu respondo que não, porque não tem vaga para a minha profissão ou porque a função a ser desenvolvida não me interessa, aparecem as melhores justificativas e argumentações para me convencerem. Pois para muita gente isso não importa. O que importa é que vai ganhar mais e, quem sabe?, vai trabalhar menos! E, enquanto não passa nessa ou noutra vaga profissional de cinco dígitos, vai vivendo e fazendo concurso. Um atrás do outro.

Não se trata aqui de negar a busca pelo sonho de melhorar a vida, mas sim, de não vivê-la somente em nome de uma ambição desmedida. Ora, eu passei tanto tempo estudando e me formando para quê, senão para trabalhar naquilo que escolhi? Conheço pessoas que já perderam (ou venderam?) a sua identidade profissional! Em face de quê?

Eu tenho um amigo que se sente um excluído social porque não faz concurso público. E eu só não compartilho totalmente com ele porque, por exemplo, sou concursada... Contudo, justifico que, embora inserida em realidades difíceis e longes dos cargos, funções e salários idealizados, felizmente, eu trabalho em minha profissão. Sim, eu não ganho o quanto gostaria, mas faço o que gosto e o que escolhi para mim. É algo que dá melhor sentido ao meu trabalho e à minha vida.

Na verdade, escrevo essas abobrinhas todas no intuito de colaborar para que possamos fazer sempre as melhores escolhas. No âmbito do trabalho, se ela for atrelada a um bom salário, ora!, melhor ainda. No entanto, é preciso cuidado para não ser proxeneta da sua profissão, do seu trabalho, do seu emprego, da sua informação, do seu conhecimento e de sua felicidade. Pois o final é cliché: nem tudo o dinheiro pode comprar.


...........................................................................................

sábado, 18 de abril de 2009

o olhar da criança

Demorei de vir aqui, mas não deixei de ficar na sombra. E uma das situações que vivenciei recentemente foi num salão de beleza, quando eu aguardava a minha vez de encarar a tesoura. Enquanto eu estava lendo uma revista, notei que a criança que cortava o cabelo olhava fixamente para mim. No início, eu retribuí ao olhar com um sorriso, fiz uma gracinha e voltei a folhear as fotos de celebridade. Mas ela continuou.

O engraçado é que, na mesma semana, no ônibus, um gurizinho estava sentado à minha frente, no colo da mãe, e se pôs a me fitar. Ele me olhava bem no fundo e aquilo começou a me intrigar... Então eu me dei conta de uma coisa: já percebeu como as crianças ficam olhando para você fixamente nas mais diversas situações?

Acabei pensando que eu, muito possivelmente, já tenha feito o mesmo com muitas pessoas. Mas com o passar do tempo, a gente vai cada vez mais se afastando do olho-no-olho. E por quê?

Como forma de descobrir, tentei manter meus olhos fixos aos da criança. Contudo, em seguida, comecei a rir sozinha, sem conseguir sustentar aquele "lugar", pensando no que estava por detrás daquela ação.

Ao longo desses anos, sempre tentei despertar em mim a curiosidade pueril acerca da vida, do mundo e das pessoas, daquilo que é peculiar a todos nós; porém, é inevitável que acabemos por aprender a nos afastar desses posicionamentos. Talvez seja uma marca ritualística de uma passagem temporal para a idade adulta. Outras responsabilidades caem sobre nós e parece ser importante transmitir seriedade e competência.

Além disso, quando a gente mora numa cidade grande, aprende-se a olhar cegamente para os outros, como forma de ser somente alguém que passa, que cruza e - quem sabe? - lhe dá um bom dia. Não há sobrenomes ou como vai você, mas, no entanto, semeia-se o medo e a insegurança em meio a tantas atrocidades promovidas pela nossa contraditória civilização.

Isso quer dizer que crescer e amadurecer é aprender a lidar com o olhar do outro e tudo aquilo que ele pode lhe despertar, do amor ao pavor. Mas, felizmente, sempre haverá a criança ou alguém ali a lhe olhar fixamente, com a coragem que lhe é própria, de modo a nos provocar em segredo uma pergunta sobre nada e, ao mesmo tempo, sobre tudo. Sobre quem nós somos e quem nos tornamos. Talvez até sem querer respostas. Talvez somente procurando reconhecer o olhar e a sutil lembrança de quem um dia também já foi ou ainda queira ser criança.

.....................................................................................

sexta-feira, 3 de abril de 2009

estou de volta.

Peço desculpas pela longa ausência. Mas tive de me afastar por conta de um problema ortopédico no ombro e meu computador quebrado...

Agradeço a atenção de todos durante esse tempo!

Estou de volta!